O sindicalismo revolucionário e o anarco-sindicalismo – Jacques Toublet

O sindicalismo revolucionário

Sindicalismo que, em francês, adquire seu sentido moderno por volta de 1894, provém da justaposição de dois radicais do grego antigo, “sun” e diké”, que significam respectivamente “com”, “juntos” e “uso”, “justiça, “direito”. E uma das linhas etimológicas da palavra é portadora da ideia de representação, como um “síndico”, uma segunda dá origem, no século XVI, a “sindical”, no sentido que era feito por uma comunidade, por oposição às ações dos particulares, e a “fazer sindicato” (1514), que significativa associar-se para a defesa de interesses comuns. Encontramos, desde 1697, “câmara sindical”, que designava um corpo que se ocupava dos assuntos de um grupo profissional. “sindicato” surge por volta de 1840, como associação de defesa dos interesses profissionais.

Sindicalismo exprime, ao mesmo tempo, a soma de todos esses conceitos: representação de uma coletividade de interesses comuns, num espírito de direito e com vistas à justiça.

Quando sindicalismo impôs-se na virada do século, para designar um dos maiores acontecimentos sociais da época, isto é, a multiplicação e a organização coletiva dos sindicatos operários, uma segunda significação juntou-se a esse primeiro sentido, aquela da doutrina professada por esses ajuntamento dinâmicos de operários e , em menor medida, de empregados. O sindicalismo, para os contemporâneos, era simultaneamente o próprio movimento operário, um fato social, e a teoria política que formulava esse movimento, quer dizer, uma ideia , uma ideia de transformação social, uma ideia revolucionária. O sindicalismo, compreendido nessa acepção primeira de sindicalismo revolucionário, era o proletariado que entendia ocupar-se de seus próprios interesses e que proclamava alto e forte sua vontade de transformar o mundo.

Esse sindicalismo permitia a unidade dos operários e de suas associações em um mesmo grupamento, a Confederação Geral do Trabalho, diferentemente do socialismo parlamentar que os havia dividido em partidos opostos e concorrentes. O sindicalismo tornava possível a unidade porque colocava acima da opinião política, filosófica e religiosa a noção de classe, o interesse de classe. Porque se dirigia aos proletários existindo de fato, aquelas e aqueles que produzem muito e consomem pouco; e não como os partidos, à abstração do cidadão, independentemente de sua situação social. O sindicalismo revolucionário identificava-se, segundo Émile Pouget, com “o ideal colocado por todas as escolas de filosofia social”; melhor ainda, formulava esse ideal “expurgando” dos detalhes secundários e “sectários” para só conservar a “essência” e começava a realiza-o nos fatos.

O sindicalismo revolucionário recusava as mediações municipalista e parlamentar que buscam a quimera da emancipação operária por meio da conquista dos poderes poíticos… para maior benefício dos políticos que os preconizam; o sindicalismo opunha-lhes, como estratégia geral, a ação direta dos próprios operários organizados em seus sindicatos, no seio dos quais , graças à luta e à solidariedade, os elementos mais generosos e mais enérgicos adquiriam uma clara visão do antagonismo das classes e uma consciência revolucionária.

A ação direta do sindicalismo revolucionário não era necessariamente violenta mas podia sê-lo se a ela lhe opusessem “pelegos” ou a força repressiva do Estado. Suas formas eram a greve, as manifestações, a sabotagem, o boicote. Ela era exercida contra o patronato privado ou público, e, se necessário, contra o próprio Estado. A ação direta devia concluir-se, completar-se pela greve geral, prelúdio à expropriação dos capitalistas, no desmantelamento do aparelho do Estado e na construção da nova sociedade de bem-estar e liberdade, da qual os sindicatos revolucionários eram o embrião.

Tal era o programa do partido do trabalho sindicalista revolucionário: um “duplo trabalho”. Melhorar as condições de vida dos proletários pela reivindicação, pela luta cotidiana e preparar obstinadamente a mudança social, pela palavra, pela ação, pela organização. O sindicalismo revolucionário proclamava, com efeito, que a reivindicação preparar a revolução, porque tanto uma quanto a outra só adquirem uma realidade pela luta social, pela solidariedade e pela aprendizagem da relação de forças real.

Porquanto se afirmava unitário, quer dizer, em condição de acolher em suas fileiras todos os proletários “conscientes da luta a travar para o desaparecimento do patronato e do salariado”, o sindicalismo revolucionário da C.G.T. acrescentava que ele se considerava como “neutro do ponto de vista político”, neutro em relação aos “partidos e as seitas” que, “fora e ao lado” perseguiam a “transformação social”. Não se tratava, contudo, de uma neutralidade que implicava uma “passividade” qualquer. A Confederação não abdicava “diante de qualquer problema social bem como político, dando a essa palavra seu sentido amplo”; ela havia decidido, no entanto, no interesse da coesão interna, afastar de seus debates os enfrentamentos relativos ao eleitoralismo ou ao antieleitoralismo, da mesma maneira que se declarava “a-religiosa” e “apatriótica”.

A conservação da unidade orgânica, numa tensão permanente, é verdade, entre as tendências , foi a grande força do sindicalismo revolucionário da C.G.T.; essa unidade resistiu ao primeiro conflito mundial mas foi rompida pela Revolução russa e suas consequências. O leninismo, que pretendia impor ao proletariado e a todas as sus realizações a direção de um partido de vanguarda, recusava e combatia a independência e a autonomia do sindicalismo.

A cisão da C.G.T., depois que um certo número de militantes adotou os pressupostos do bolchevismo , tornou-se inevitável.

 O anarco –sindicalismo

Aquele ou aquela que emprega o vocábulo “anarco-sindicalismo” expõe-se a inúmeros mal-entendidos. Anarco-sindicalismo pode, com efeito, ser compreendido de múltiplas maneiras, a exemplo de muitos termos políticos, porque, no transcurso da movimentadíssima história social do século passado, ele foi empregado, em diversas épocas, com acepções muitos diferentes.

No começo do século, por exemplo, era assim que seus adversários – os guedistas ou os reformistas à maneira Keufer, do Sindicato do Livro – designavam a corrente majoritária do sindicalismo revolucionário da C.G.T., com forte carga pejorativa e intenção de denegrir. Eles achavam um simulacro de argumentação no importante papel que os libertários declarados – tais como Fernand Pelloutier, Émile Pouget, Paul Delesalle ou George Yvetor – haviam desempenhado na constituição do sindicalismo revolucionário e que ainda desempenhavam na C.G.T. de então.

Os interessados, os responsáveis pela C.G.T. cuja inclinação filosófica tendia ao anarquismo, como Pierre Monatte, recusavam essa denominação ressaltando que seu objetivo não era a implantação de um sindicalismo anarquista, mas, ao contrário, a constituição de um sindicalismo unitário, de um

“sindicalismo neutro ou mais exatamente independente: é preciso que não haja, em cada ofício e em cada cidade, mais do que uma organização operária, um único sindicato.

Nessa  condição […], concluía Monatte, a luta de classes poderá desenvolver-se em toda a sua amplitude.”

Mais tarde, após a Revolução russa, quando a direção da C.G.T.U. alinhava-se cada vez mais sob a orientação do Partido Comunista, criou-se o hábito de designar como “anarco-sindicalistas” os militantes operários que, conquanto se declarando ativos partidários do sindicato e opunham-se à sua “colonização” pelo partido, quaisquer que fossem, por sinal, suas referências ideológicas.

Hoje, enfim, quando se fala do objeto histórico C.G.T. da França, de 1895 a 1914, não é raro qualifica-lo de anarco-sindicalista, instituindo uma espécie de equivalência entre este último termo e o sindicalismo revolucionário.  Ora, como sabemos, não é possível de equivalência entre este último termo e o sindicalismo revolucionário da C.G.T. à resultante do pensamento e da ação social exclusivamente dos anarquistas; inúmeros outros militantes, socialistas, sobretudo allemanistas, mas às vezes ex-guedistas, e sindicalistas sem etiqueta política ou filosófica participaram ativamente da aventura da C.G.T. revolucionária. Um deles, um ferroviário, chegou inclusive a afirmar no Congresso de Amiens, que o sindicalismo era “de pura essência marxista”; ele pensava seguramente na luta de classes. Quanto aos intelectuais que apoiavam o sindicalismo revolucionário, como Georges Sorel, muitos haviam passado pelo marxismo.

Para encontrar um puro produto anarco-sindicalista, se ouso dizer, é preciso voltar-se para a Espanha e sua Confederación Nacional del Trabajo (C.N.T.) . Para além dos Pirineus, entre 1910 e 1939, existiu um movimento sindical revolucionário muito importante cujas ideologia e finalidade declaravam-se libertárias. Comparar as organizações e seus dois discursos pode permitir ver essa questão um pouco mais clara. Percebemos quatro diferenças principais:

  1. A C.G.T. tentou inventar uma nova abordagem da unidade operária recusando as divisões “políticas” dos “partidos” e “filosóficas” das “seitas”. A C.N.T. considerava-se, e ainda se considera, como a continuadora da seção espanhola da 1º Internacional de orientação bakuniniana concorrente da facção marxista constituída em grupo separado desde 1872 e tornada um sindicato social-democrata desde 1888. A busca da unidade operária em uma única organização que permitiria a coabitação das diversas tendências do socialismo e do anarquismo não é absolutamente, para a C.N.T., uma prioridade; desde sua origem, a C.N.T. constatou a divisão do movimento operário e socialista.
  2. A C.G.T. tentou formular uma nova doutrina permitindo a unidade operária, superando as oposições do socialismo parlamentar e do anarquismo antieleitoralista. A ação direta “econômica” é o meio, dizia ela, para realizar a unidade de todos os operários; seu discurso, em consequência, era muito “classista”. Ao contrário, a C.N.T. desenvolveu sistematicamente os temas do socialismo antiestatista; a apresentação de sua doutrina era menos “classista”, mais humanista e ética.
  3. A C.G.T. era “a-política” e “a-parlamentar”; ela estimava-se neutra entre os partidos e excluía de seus sindicatos as polêmicas entre os eleitoralistas e os antieleitoralistas. A C.N.T. declarou-se desde a origem oposta aos partidos políticos, porque pensava a via parlamentar sem saída; ela lançava apelos à abstenção e assumia disposições estatutárias para que os aderentes dos partidos não pudessem ocupar funções de responsabilidade em suas fileiras.
  4. Enfim, a C.N.T. mostrou-se muito desconfiada em relação ao funcionarismo sindical, mantendo ao mínimo o número dos secretários e dos militantes remunerados pela organização; ela praticava a rotatividade obrigatória dos mandatos. Enquanto que, parte das premissas antiburocráticas aproximadamente semelhantes, a C.G.T. admitiu, desde 1911, a reeleição contínua de sues permanentes sindicais.

A aceitação pela C.N.T. da divisão do movimento operário entre estatistas e não estatistas – entre aquelas e aqueles cujo objetivo é a conquista dos poderes públicos e seus adversários cujo objetivo é a destruição do Estado – seria o ponto de divergência essencial que a separaria da C.G.T. revolucionária, cujo projeto era superar essa divisão. A finalidade da C.N.T. era o comunismo libertário, que implicava a destruição do Estado; enquanto a C.G.T. visava ao “desaparecimento do patronato e do salariado”, deixando aberta a questão da organização pública.

Por consequência, no que concerne ao fundo do problema, a mesma diferença poderia ser percebida entre anarco-sindicalismo e sindicalismo revolucionário. Visto que em relação aos outros grandes temas as duas organizações juntavam-se: luta de classes, duplo trabalho reivindicativo e revolucionário, necessidade da luta cotidiana, independência e autonomia, ação direta até a greve geral, autogestão coletiva pelo sindicato.

[1] Artigo publicado no Brasil no livro “O anarquismo e os sindicatos operários”, de Fernand Pelloutier, Editora Imginário/Instituto de Estudos Libertários. Maio de 2013. A introdução apresente o seguinte texto sobre o autor do artigo é “Jacques Toublet, membro da Alliance syndicaliste revolutionnaire et anarcho-syndicaliste (A.S.R.A.S.), e filho de Julien Toublet, antigo secretário da CGT-SR, o conteúdo se destaca pela sua dupla qualidade: aquela que o autor estabelece entre os conceitos e as realizações concretas, verificáveis historicamente, e a forma clara e direta que acompanha todo o texto. Indo muito além do simples enfileirar de argumentos, fugindo da estética previsível de um alentado verbete, o resultado traduz-se em ganho para o leitor. No mais, o texto é também fruto da experiência sindical, da sua lida…” O artigo original encontra-se aqui (Réfractions, nº7, 2001.)

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Arte política/Arte Ativista

O livro Insurgências poéticas, de André Mesquita (aqui), é uma narrativa histórica sobre a arte ativista e a ação coletiva com recorte na História do Tempo Presente. É um trabalho de fôlego amparado em referências bibliográficas e entrevistas (e-book com as entrevistas realizadas por Mesquita, aqui). A leitura cuidadosa da obra é recomendável (aqui novamente) . A breve anotação não é uma resenha do livro em questão, é somente a sistematização dos conceitos de arte política e arte ativista elaborado por Mesquita. Os dois conceitos são estimulantes para o pensar/fazer arte em Joinville/Sc.

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Arte política: o objetivo é representar uma oposição. É um projeto artístico que demonstra estar socialmente preocupado com os problemas do mundo. As questões sociais estão presentes na temática. Um exemplo local: as peças elaboradoras por grupos teatrais  preocupados com temáticas  sociais:  violência de gênero, LGBT, exploração econômica, racismo, etc. A preocupação social abre janelas para inquietações e debates.

Arte ativista:produz exemplos de oposição que procuram interrogar os meios usados para comunicar uma mensagem, através da descoberta das mudanças políticas da forma” (página 39). Neste caminho, “a arte ativista encontra na realidade o seu material de trabalho e suas práticas trazem uma contra-história criativa que desafia projetos políticos e narrativas tradicionais” (página 133). Ela é “contextual e suas táticas percorrem espaços e tempo específicos” (página 133). Por isso, “a política não aparece simplesmente isolada ou acrescida a arte como mero acessório temático ou estético, mas como sendo um componente intrínseco de sua existência” (página 15). Ou seja, é um processo socialmente envolvido. Para finalizar “Considere que arte ativista não significa apenas arte política, mas um compromisso de engajamento direto com as forças de uma produção não mediada pelos mecanismos oficiais de representação. Esta não mediação também compreende a construção de circuitos coletivos de troca e de compartilhamento, abertos à participação social e que, inevitavelmente, entram em confronto com os diferentes vetores das forças repressivas do capitalismo global e de seu sistema de relações entre governos e corporações, a reorganização espacial das grandes cidades, o monopólio da mídia e do entretenimento por grupos poderosos, rede de influência complexos industrial-militar, ordens religiosas, instituições culturais, educacionais etc” (Página 17).

Quem tem medo de uma base organizada e combativa?

Nesta quarta-feira, 31 de agosto, as trabalhadoras e os trabalhadores da educação pública de Santa Catarina, da Regional de Joinville, realizam uma assembleia chamada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinte), que acontece na sede do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Joinville e Região (Sinsej), localizado na Rua Lages, número 84, centro, de Joinville.

O ponto central da Assembleia é organizar a categoria na luta contra a e a Projeto de Emenda à Constituição (PEC) 241 e o Projeto de Lei (PL) 257. O objetivo é unificar as diferentes forças políticas para o combate os golpes nos direitos conquistados com muita luta combativa do povo oprimido. Nada mais urgente e necessário na atual conjuntura.

Ecos da derrota na eleição sindical

O reflexo da eleição na Regional de Joinville começa aparecer no cotidiano da luta sindical do magistério estadual. A lógica baseada na direção sindical como meio de indicar os caminhos certos da luta, promove o silenciamento das vozes divergências e impõem o autoritarismo quando a base organiza-se e cobra a direção um posicionamento de acordo com as necessidades das trabalhadoras e dos trabalhadores.

A eleição sindical realizada em junho contou com três chapas na disputa da direção estadual, sendo que na direção estadual venceu a Chapa 2, com linha política está atrelada a Central Única dos Trabalhadores (CUT) burocratizada e conciliadora dos conflitos entre as classes.

Na regional de Joinville, a Chapa 02 acumulou 124 votos, sendo a menos votada. Enquanto a Chapa 01, atrelada a CSP/Conlutas, com a presença de independentes, que em Santa Catarina é hegemonizada pelo PSTU contou com 282 votos. Já a Chapa 03, com a força política e tendência sindical da Esquerda Marxista, venceu com 293 votos.

Abandono aos trabalhadores e trabalhadoras de São Chico

Em São Francisco do Sul (SC), cidade a 45,5 km da sede do Sinte/Regional Joinville, conta com 8 escolas públicas estaduais. Por lá, a chapa composta por independentes e membros da CSP/Conlutas conquistou duas vezes mais votos que a Chapa capitaneada pela Esquerda Marxista.

Em “São Chico”, um grupo da base do magistério organiza a categoria em defesa da escola pública. Sendo que uma companheira foi eleita conselheira. A distância geográfica e os duros cortes no orçamento da classe trabalhadora instigaram as lutadoras e os lutadores de São Chico a solicitarem o pagamento de uma van para realizar o deslocamento da cidade vizinha para a assembleia.

A direção do Sinte da regional de Joinville recusou a pagar o deslocamento. O argumento é que o recurso sindical é escasso e deve ser mantido para outros fins, sendo que não pode “privilegiar” um município em detrimento dos demais que compõem a regional.

O grupo de trabalhadoras e trabalhadoras de São Chico argumenta que:

[…] não queremos ser priorizados, mas, que seja uma prática para todos os municípios da regional de Joinville. Havendo interesse da categoria em participar da assembleia que a regional tenha ciência que há outros fatores que dificultam a presença dos profissionais da educação como horário de transporte público, distância e custo. Como organizar a base sem ter contato com ela? Não tivemos nenhuma visita chamando a base. Temos problemas reais, os professores das salas de tecnologia estão fora do processo seletivo de Admissão de professores em Caráter Temporário (ACT) 2017 e já fomos informados pelo gestor de nossa unidade escolar que não haverá segundo-professor para alunos com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade. Se este não é um momento de mobilizações sequenciais, com estes problemas, com tantos desempregados para 2017 eu não sei mais o que é relevante”.

A posição tomada pela direção sindical ligada à Esquerda Marxista não é o primeiro ataque às vozes divergentes na categoria. Os relatos são os mais diferentes. A entidade sindical tem recursos financeiros, mas sempre quando é solicitada para destinar o uso deste recurso para base divergente, a direção recusa o uso.

Isto já aconteceu no caso da ajuda financeira de trabalhadores que tiveram o salário cortado pelo Governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), na última greve. A medida é um duro ataque a base que busca a sua organização, mesmo estando distante quase 50 km da sede sindical, sem visita da direção e com o esquecimento pelos governos. Uma base organizada e combativa é o temor dos patrões, dos governos e, pasmem, das direções burocratizadas e autoritárias.

(texto elaborado em parceria entre companheiras e companheiros de Joinville e São Francisco do Sul)

 

Roda de conversa debate o papel social da professora e do professor.

No dia 24 de setembro, em Joinville, o Grupo Sindical de Base (aqui) promove uma roda de conversa sobre o papel social da professora e do professor.  O evento (aqui) criado para divulgar a roda apresenta a proposta.

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O que é a Roda de conversa? 

A Roda de conversa, organizada pelo Grupo Sindical de Base, é um espaço aberto para conversar sobre o papel social da professora e da professora. A atividade contará com o texto dispador “O papel do social do professor” , de Mauricio Tragtenberg.

O que é o Grupo Sindical de Base (GSB)?

É um grupo criado e organizado por trabalhadores e trabalhadoras de diferentes setores cansados com os mandos e desmandos dos governos e patrões. Dentro deste contexto, buscou-se criar um espaço de trabalhadores e trabalhadoras pensar, falar e criar novas práticas de atuação sindical com um corte classista e combativo. O que nos leva adotar a independência de classe, a solidariedade, o internacionalismo, a ação direta, o federalismo político e a democracia direta e de base.

O texto para baixar, ler e participar da roda está disponível -> O papel social do professor – Maurício Tragtenberg

O local da atividade é o gramada da Cidadela Cultural, na Rua XV de Novembro, número 1383.

A atividade é uma iniciativa para começar organizar as rebeldias e suas resistências aos golpes contra os nossos direitos realizados pelos governos e os patrões.

RODEAR DE SOLIDARIEDADE AS 16 FAMÍLIAS DO RESIDENCIAL TRENTINO

A campanha de solidariedade as 16 famílias do Bloco 1, do Residencial Trentino I, continua após uma semana do incêndio.

As moradoras e moradores estão há sete dias sem moradia e realizaram um protesto no último domingo, 24, inclusive uma reunião com políticos comissionados na Prefeitura Municipal de Joinville. (aqui e aqui)

Neste cenário, um grupo de trabalhadores e trabalhadoras da cultura e educação, acompanhado da militância de movimentos sociais, realizaram ações de solidariedade.

Hoje, 27, o Coletivo MINA (aqui), que trabalha com a arte urbana de corte feminista, divulgou uma nova ação de solidariedade. O MINA disponibilizou uma caixa para arrecadar roupas e alimentos para rodear de solidariedade as famílias desabrigadas.

O local de coleta é o Rosa Negra Tatuagens, localizado na Rua Itajaí, número 270, no Centro.

A Prefeitura de Joinville não cumpriu o acordo com as famílias do Trentino.

Na manhã de ontem, 25, um grupo de moradores do Residencial Trentino 1 estiveram reunidos na Prefeitura Municipal de Joinville (PMJ) com representantes da Secretaria de Habitação, Assistência Social, Defesa Civil e Bombeiros.

A reunião resultou de um protesto realizado durante a Feira da Sapatilha, no último domingo, 24. O objetivo da manifestação foi reivindicar uma ação assistencial às 16 famílias desalojadas por conta do incêndio que levou a interdição do Bloco 01, deixando 66 pessoas desabrigadas. (aqui)

Segundo relato de participantes da reunião de hoje, a atividade não resolveu de imediato os problemas das 16 famílias desabrigadas, mas mobilizou um engenheiro a comparecer no condomínio para realização de um laudo. O laudo deve ser publicado até quinta-feira, quando será liberado, ou não, a volta das famílias aos seus apartamentos.

Na reunião, a PMJ garantiu a distribuição de cestas básicas e auxílio aluguel para as famílias desabrigadas. A Prefeitura se comprometeu em enviar as cestas básicas no mesmo dia, 25, porém até às 19h ainda não tinham sido entregues. Moradores e moradoras pontuaram que retomarão os seus protestos até a PMJ cumprir o que foi acordado na reunião de ontem.

Escrito por Solomon, Carlos e Ominha. Informações coletadas com Sebastião. 

Protesto durante a Feira das Sapatilhas*

No final da tarde deste domingo, 24 de julho, um grupo composto por 14 famílias realizaram um protesto na Feira da Sapatilha, durante o Festival de Dança de Joinville. (aqui)

As famílias estão desabrigadas após um incêndio de um apartamento em um bloco do Condomínio Trentino, localizado na zona sul de Joinville/Sc, ocorrido na última quarta-feira. A Defesa Civil e os Bombeiros interditaram o bloco. (aqui)

Desde então, as famílias estão abrigadas no salão de festas. Em outro salão, moradores e moradoras improvisaram uma cozinha comunitária. No momento a alimentação, as roupas de cama, colchões, material de limpeza e higiene foram arrecadados por meio de ações solidárias de trabalhadores da educação e da cultura.

A Secretária Municipal de Habitação, ligada a Prefeitura Municipal de Joinville, e a Caixa Econômica Federal, ligada ao governo interino do Temer, não realizaram ações concretas para assistir a família que perdeu tudo no incêndio. As demais famílias também não foram atendidas.

Por conta da ausência de ação concreta, o protesto, organizado por moradores e moradoras, foi realizado durante a Feira da Sapatilha. A Feira é um cartão postal e o “investimento” político da classe dominante local, quando milhares de turistas circularam no Centro Eventos Cau Hansen, localizado no centro da cidade.

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Protesto durante a Feira das Sapatilhas – Foto da Internet.

O protesto resultou uma reunião entre moradores, moradoras e Secretária da Habitação para a manhã de segunda-feira, 25 de julho. Junto com a solidariedade e a organização dos moradores, o dia de hoje se encerra com uma possível esperança para a resolução dos problemas das 14 famílias desabrigadas.

*Por Ominha e Solomon com informações de Sebastião e Carlos.

Uma leitura para lembrar os 80 anos da Revolução Social na Espanha.

A presente semana é um importante momento para lembrar o povo espanhol em resistência ao capitalismo e ao fascismo nos anos de 1936-39. (aqui) Por isso, ontem, no Galpão de Teatro da AJOTE, um grupo de 11 associadas/os e amigas/os da entidade, realizou a leitura da peça Os fuzis da Senhora Carrar, de Berltolt Brecht. (aqui) O público presente girou em torno de 50 pessoas.

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Associados/as e amigas/os durante a leitura da peça “Os fuzis da Senhora Carrar”. Foto por Marlon Zé

A obra, escrita em 1937, é um drama social extremamente atual. Afinal, em 2016, o Brasil vive com golpes nos direitos conquistados com muita luta, temos falsos defensores de uma suposta neutralidade e a criminalização do protesto e pobreza.

O evento foi uma ação importante na construção das memórias combativas. Pois, além de lembrar a luta popular contra a classe dominante, a atividade instigou um debate sobre o teatro que toma partido dos oprimidos e das oprimidas. Neste contexto, a AJOTE tem realizado um importante protagonismo político na perspectiva de dialogar com os movimentos sociais e o povo da cidade.

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Momento do debate. Foto por Marlon Zé

A urgência de uma Mãe-criada

A peça Mãe-criada, da Dionisos Teatro, realizou a sua estreia nos dias 17,18 e 19 de junho. A peça compõem o projeto “Memórias Re-partidas: quatro solos da Dionisos Teatro” (aqui). Nos próximos meses, os quatro solos da Dionisos (aqui) farão do Galpão de Teatro da AJOTE o espaço do diálogo entre as memórias e a cena.

Em Mãe-criada, Clarice Steil Siewert (aqui), mulher, trabalhadora da cultura e grávida de oito meses, leva ao palco as memórias de mulheres e seus itinerários de construção de uma nova humanidade. É a força, a luta e a resistência da/pela vida que vai ao palco em a Mãe-criada, o primeiro monólogo de Clarice.

Na cena, a violência do sistema de dominações estão presentes: violações no campo econômico, político e cultural. Quando mães são marginalizadas, fazendo da maternidade um crime contra o capital. Fato que sustenta um sentimento de culpa por conta das mães deixarem as suas crianças com amigos, vizinhos, familiares e jardins. O machismo está presente com o domínio da ciência em detrimento dos conhecimentos práticos das parteiras. O machismo também é mencionado pela ausência do homem no seu papel de pai.

A encenação proposta por Clarice opta por quebrar a quarta parede (aqui) ao fazer o diálogo com o público. O uso de recursos audiovisuais projetam os primeiros momentos da vida humana, fazendo um jogo com o movimento do corpo da atriz junto à projeção. Elementos que potencializam a carga emotiva das memórias construídas na fruição da cena com o público.

Por momentos os risos do publico ocupam o ambiente teatral. Porém, é rompido quando uma fragilidade é exposta pela atriz. Entre as diferentes sensações, a peça demonstra um enraizamento na atualidade, assim dando uma força poética das urgências de mulheres e a construção do seu empoderamento versus a dominação imposta pelo regime patriarcal.

Uma tentativa de golpe na educação municipal.

Na última terça-feira (07/06), na CMV, Câmara de Vereadores de Joinville, a reunião da Comissão de Educação da CMV debateu o Projeto de Lei Ordinária nº 221/2014, enviado ao poder legislativo pela Vereadora e Pastora Léia (PSD). Qual é o nome do projeto? Escola Sem Partido. Sim, no cenário dos golpes, a Bancada da Bíblia articula os seus ataques contra a suposta “doutrinação esquerdista” realizadas nas escolas.

A intenção do projeto não é uma novidade. É a convencional perseguição dos setores religiosos conservadores da classe política dominante contra os setores políticos organizados no campo da esquerda.

A Vereadora e Pastora Léia promove uma medida para reduzir a expressão de todos e todas, assim como o exercício da pluralidade de ideias que compõem a sociedade. A perspectiva conservadora tenta dar um golpe na educação formal da cidade. Por isso, independente da sua perspectiva ideológica, mas se você tem como base a  democracia e a liberdade de expressão, é fundamental a leitura, o debate e a ação direta pelo arquivamento do Projeto de Lei Ordinária nº 221/2014.

Mais informações:

Você pode clicar aqui e assinar a petição online pelo arquivamento do projeto.

Aqui e aqui é possível saber mais do projeto e sobre a reunião da Comissão de Educação da CMV.

O SINSEJ produziu um vídeo sobre a reunião, assista aqui.

Na próxima semana, o Conselho Municipal de Educação, composto por setores da sociedade e do governo municipal, estará reunido para debater o Projeto Escola Sem Partido. As informações da reunião não estão definidas. Na fala da Denise, presidenta do Conselho Municipal, e da Sônia, Secretária Municipal da Educação, o Projeto Escola Sem Partido é sem fundamento. Inclusive já existe toda uma legislação que dá conta da educação ( aqui, aqui e aqui). Porém, sabemos como sobram os ventos da política institucional, o que faz necessário manter os olhos e os ouvidos.

No momento é fundamental abrir o debate, mobilizar as bases da educação (trabalhadores e estudantes), dialogar com diferentes entidades e movimentos sociais e comunidade em geral para criar uma resistência contra o golpe na educação pública e gratuita.